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Elétrico

Massachusetts proíbe vendas de carros à gasolina até 2035

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Prius em perspectiva frontal

Medida que proíbe o comércio de carros convencionais tem por objetivo incentivar o comércio dos carros elétricos

Os carros elétricos ainda não são uma realidade consolidada no mercado mundial. Mas a cada dia que passa, se tornam protagonistas das pistas futuras. O grande fator motriz dessa relação, diz respeito ao fato dos países abraçarem a causa da preservação ambiental. Assim, buscam reduzir, ou mesmo eliminar, a circulação dos carros com motores convencionais, como o recente plano traçado pelo Massachusetts, nos Estados Unidos.

Massachusetts segue os mesmos passos que estão sendo traçados pela Califórnia, estado situado na outra extremidade do país. Em seu plano, há a ousada meta de proibir o comércio de carros novos movido a gasolina em um prazo de até 15 anos. Charlie Baker, atual governador do estado, divulgou para o grande público uma relação que detalha as ações que serão adotadas até o ano de 2050.

De acordo com o relatório, 27% da poluição do Massachusetts provém dos veículos de transporte de passageiros, dentre os quais se destacam os carros. A intenção é que, até a metade desse século, o valor de emissões líquidas chegue ao zero. Essa missão possui diversos degraus, como o barrar das comercializações de novo carros com motores convencionais no estado.

 

Carro com capô aberto

Motor convencional, divulgação.

Como esse passo interfere diretamente na rotina da população, acaba por afetar todo o modus operandi dos indivíduos. Será preciso repensar as ações que, há anos, se tornaram mais que comuns, mas característica do estilo de vida. Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Departamento de Pesquisa Stadista, apenas em 2018, foram mais de 273.6 milhões de veículos registrados no país norte-americano.

Mudanças na infraestrutura de transporte público

Acontece que, como todo o mundo ruma para a eletrificação, é preciso considerar que nem todos os indivíduos que possuem um carro convencional terão condições de arcar com os custos requeridos por um veículo elétrico.

Mesmo que se considere a futura redução nos valores, em decorrência do avanço tecnológico e do número de ofertas, nem todos poderão carregar um carro elétrico em sua casa, já que, até mesmo a alocação de espaço residencial deve entrar nesse planejamento.

Por conta disso, haverá uma grande tendência de que mais pessoas passem a utilizar o transporte público. Essa perspectiva fez com que a gestão de Baker colocasse em pauta o funcionamento desse setor e a sua capacidade de lidar com tamanha sobrecarga.

Indivíduos à espera de ônibus

Ponto de ônibus, divulgação.

Assim, o estado tem como meta a ampliação da infraestrutura pública de condução, visando garantir que todos tenham capacidade de deslocamento, mediante os novos parâmetros regulatórios.

Ao que tudo indica, essa movimentação ainda tímida, se restringindo a apenas alguns estados, tende a se tornar cada vez mais expansiva. Para constatar essa realidade, podemos considerar o plano de políticas climáticas de Joen Biden, recém-eleito presidente dos Estados Unidos.

Em sua visão, a troca de carros convencionais por verdes é apontam para o futuro da indústria automobilística, por conta disso, pretende trocar toda a frota pelos carros elétricos.

Joe Biden dentro de carro elétrico conversível

Joe Biden em carro elétrico, divulgação.

Biden tem como uma de suas prioridades impulsionar a eletrificação no país. Então, pretende trabalhar ao lado dos políticos locais, para que essa finalidade seja alcançada.

De modo concreto, até o fim de 2030, quer que mais de 500 mil tomadas de abastecimento público sejam implantadas no país. Dessa forma, para que um número maior de indivíduos tenham condições de arcar com um carro elétrico.

Carros elétricos no Brasil

Mesmo que boa parte das pessoas desconheça, o Brasil foi o primeiro país do continente sul-americano a possuir um carro elétrico, isso há 47 anos.

No final da década de 70, a montadora tupiniquim, Gurgel Motores S/A, foi criada por João Gurgel, entrando para história da eletrificação dos veículos no país. Isso porque a montadora apresentou o Itapu, um carro elétrico de linhas marcantes, curiosamente lembrando a famosa Tesla Cybertruck. 

Essa máquina era composta de um motor verde de 3,2 kW (em torno de 4,2 cv), no entanto, em razão da tecnologia da época, as dez baterias presentes no modelo não possuíam autonomia suficiente para tornar o veículo prático.

Gurgel Itapu elétrico vermelho

Gurgel Itapu E-400, divulgação.

Outra dificuldade, que acabou inviabilizando a permanência do Itapu, foi a pouca disponibilidade de postos de carregamento, bem como a demora para completar esse processo.

Assim, é possível constatar que, como em todo mundo, a realidade dos carros elétricos no Brasil não são uma novidade. No século XIX, o surgimento das baterias de chumbo e ácido, foi um grande marco para os veículos elétricos, nos países europeus e norte-americanos. Ocorreu apenas que esses veículos acabaram perdendo espaço para os motores à combustão.

Ascensão dos carros verdes

No caso dos EUA, inúmeros fatores podem explicar essa derrocada, como o avanço tecnológico e produtivo, que permitiu inovações como a partida elétrica e o barateamento dos carros movidos à gasolina.

Em sintonia com a queda do Itapu, a baixa autonomia dos elétricos se tornou outro problema decisivo, já que as cidades do país já estavam interligadas por rodovias, o que demandava carros que conseguissem atravessar longas distâncias.

O retorno dos carros elétricos no país norte-americano foi marcado pelo lançamento do Toyota Prius, em 1997, um sedan híbrido que alcançou quase 90% de satisfação dentre os seus proprietários.

Rodas do Prius sob visão aproximada

Rodas do Prius, divulgação.

É válido pontuar que esse retorno surge em um cenário de claros incentivos governamentais, tendo como objetivo a preservação ambiental e uma independência em relação países instáveis, fontes de petróleo.

Enquanto isso, o Brasil vive um período de desenvolvimento econômico, esse que traz consigo a guinada automobilística. É esperado que dentre os próximos anos a frota brasileira cresça largamente, alcançando em 2030 o posto de quinta maior do planeta.

Dessa forma, esse seria o período ideal para que metas de eletrificação fossem traçadas, para que tal desenvolvimento automobilístico obtivesse, desde já, um norte sustentável.

Parte interior do Toyota Prius

Bancos do Prius, divulgação.

Os carros elétricos representam para o Brasil uma alternativa para a preservação do meio-ambiente. No entanto, o país ainda se encontra no processo de crescimento, o que acaba tornando mais viável o investimento no sistema de transporte público, mediante os critérios verdes.

Porém, não os carros elétricos e o transporte público da mesma cor não são excludentes, antes disso, se completam na mesma finalidade ambiental.

Como dito anteriormente, dentro de alguns anos, as dificuldades enfrentadas pelo grande público para adquirir um veículo elétrico tendem à queda. Isso não apenas nos Estados Unidos, que agora expande o seu processo de eletrificação em estados como Massachusetts, Califórnia e Nova Jersey.

Toyota Prius branco em perspectiva traseira

Prius (traseira), divulgação.

Antes disso, na maioria dos países que tenham como compromisso a eletrificação e adotem as medidas necessárias para construir um cenário favorável aos carros elétricos.

Fontes: Car and Driver BNDES

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Jornalista de formação, trabalho em grandes jornais do ramo automotivo. Gosta de games e séries.

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